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Advogado recém-formado: onde trabalhar, como começar a ganhar dinheiro e quando vale abrir CNPJ

Virar advogado recém-formado é um misto de alívio e ansiedade: você passa na OAB, ganha a carteira e, de repente, aparece a pergunta que ninguém responde de forma simples: “e agora, eu vou por qual caminho?” Dá para seguir CLT, tentar concurso, atuar como autônomo ou empreender com o próprio escritório — e o melhor caminho costuma ser o que combina renda previsível + aprendizado rápido + construção de carteira.

A boa notícia é que não existe “começo perfeito”. Existe começo organizado, com decisões práticas: escolher uma área (mesmo que provisória), entender como cobrar, montar uma rotina comercial ética e colocar a parte fiscal em ordem para não perder dinheiro com impostos — ou com retrabalho.

Onde um advogado recém-formado pode trabalhar (na prática)

De forma geral, o advogado recém-formado costuma começar em um destes cenários:

1) CLT em empresa ou escritório
Você ganha estabilidade, aprende procedimento e rotina, e tem acesso a casos reais com supervisão. O ponto de atenção é não “estacionar”: use esse período para criar repertório, entender um nicho e desenvolver atendimento.

2) Concurso público
Para quem gosta de previsibilidade e tem foco em estudo, concurso é uma rota sólida. Só lembre que, até a aprovação, é comum precisar de uma fonte de renda (CLT, prestação de serviços, ou atuação em demandas pontuais).

3) Autônomo (CPF) no início
Funciona para testar mercado, criar contatos e validar um nicho. O problema aparece quando o volume aumenta: tributação e controle financeiro podem pesar, além de limitar a atuação com empresas que preferem contratar PJ.

4) “Advogado empresário” (com CNPJ)
É o caminho para quem quer profissionalizar cedo: emitir nota, atender empresas com mais facilidade e organizar a operação como negócio. Para advocacia, o formato precisa seguir regras específicas da OAB.

Quanto ganha um advogado recém-formado em 2026?

Salário varia muito por região, porte da empresa e área. Para ter um norte atualizado, dados do Portal Salário (base Novo CAGED) indicam que, no recorte júnior, a média nacional gira em torno de R$ 5.651,70/mês, com variações relevantes por porte (micro, pequena, média e grande empresa).

Use isso como referência — não como promessa. No início, é comum oscilar entre meses melhores e meses fracos, principalmente para quem começa no modelo autônomo ou abrindo escritório.

Como um advogado recém-formado pode ganhar dinheiro mais rápido (sem “queimar” reputação)

Aqui, o segredo é unir serviços de entrada (mais fáceis de vender) com serviços de recorrência (que estabilizam caixa).

  • Consultorias e pareceres: muitas empresas pagam por orientação antes do problema virar processo.
  • Contratos: revisão e elaboração de contratos costuma ter boa demanda e menos imprevisibilidade.
  • Atuação extrajudicial: cartórios, notificações, negociações e acordos podem destravar receita.
  • Nicho + conteúdo: quando você escolhe um recorte (ex.: direito do consumidor para e-commerce, trabalhista para PME, família com foco em inventário), fica mais fácil comunicar valor e ser indicado.

O ponto de cuidado é respeitar a ética de divulgação: presença digital pode (e deve) existir, mas com tom informativo e sem promessa de resultado.

Como abrir CNPJ para advogados

Na advocacia, porém, o formato mais comum/adequado segue as regras da OAB: Sociedade Unipessoal de Advocacia (sem sócios) ou Sociedade de Advogados (com sócios advogados).

Na prática, o processo passa por registro/validação conforme a seccional e integração com sistemas como a REDESIM (varia por estado). Por exemplo, a OAB-PR orienta abertura via Empresa Fácil/REDESIM, com fluxo digital e integração de cadastro.

O que você deve ter em mente antes de abrir:

  • já ter registro ativo na OAB;
  • definir endereço, nome e enquadramento;
  • organizar emissão de nota fiscal de serviços (NFS-e) conforme a prefeitura;
  • separar conta bancária e finanças pessoais desde o dia 1.

Tributação: autônomo x Simples x Lucro Presumido

Para muitos, o divisor de águas é imposto.

  • Autônomo (CPF): tende a ficar mais pesado conforme a renda sobe, além de dar mais trabalho para organizar e comprovar tudo.
  • Simples Nacional: advocacia geralmente se enquadra no Anexo IV, com alíquotas nominais que começam em 4,5% e podem chegar a 33%, conforme a receita acumulada.
    Um detalhe importante: no Anexo IV, a parte previdenciária patronal tem regra própria (não é “tudo num boleto só” em todos os cenários), então planejamento de pró-labore/folha faz diferença.
  • Lucro Presumido: pode fazer sentido quando o faturamento cresce ou quando a estrutura de custos e margens favorece esse regime.

É exatamente aqui que uma contabilidade consultiva economiza dinheiro: não é só “pagar imposto”, é pagar o imposto certo para o seu cenário.

Afinal, advogado pode ser MEI?

Não. Serviços advocatícios não se enquadram como MEI — o caminho costuma ser abrir empresa como microempresa (ME) dentro das regras aplicáveis.

Erros comuns que travam o início (e como evitar)

Alguns tropeços aparecem com frequência:

  • querer atender tudo e não construir uma área forte;
  • cobrar sem método (sem proposta, sem escopo, sem política de pagamento);
  • misturar finanças pessoais e do escritório;
  • deixar formalização para depois e perder oportunidades com empresas;
  • fazer marketing “agressivo” e se expor a problemas éticos.

Comece simples, mas comece organizado

Se você é advogado recém-formado, seu objetivo nos primeiros meses é clareza: um nicho inicial, uma oferta bem definida, um jeito correto de cobrar e uma estrutura fiscal enxuta. A contabilidade entra como parceira para abrir o CNPJ adequado, escolher o melhor regime, organizar pró-labore, emissão de notas e impostos — e, principalmente, evitar que você trabalhe muito para sobrar pouco no fim do mês. Fale com a gente!

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